terça-feira, 11 de outubro de 2011

Missão Espanha Inglaterra: Conclusão

Após a missão, fomos convidados para dar algumas opiniões, a partir de algumas perguntas pre-estabelecidas. Com isso, concluímos o relato (antes tarde do que nunca!).

 Qual foi sua percepção nas visitas sobre a interatividade e o middleware?

Várias das minhas observações encontram-se nos textos anteriores, mas ressalto aqui que o Ginga, pelo menos aparentemente, tem grande respeito e admiração por lá. Já os sistemas deles me parece seguir unicamente um modelo comercial simplista. Os desenvolvedores de software não têm visão de conteúdo e as emissoras entendem a interatividade muito mais como um complemento em forma de jogo do que uma nova concepção ou mesmo um novo tipo de programa.

Como disse, talvez porque eles não tenham a necessidade de inclusão social e digital que temos. Mas nos serve de alerta para onde iremos caso não haja um investimento, cultural e financeiro, em políticas públicas, se não nos dedicarmos agora em aperfeiçoar a missão e o papel do que queremos de nossa TV Digital, do middleware e da interatividade que esperamos.






De que forma a experiência obtida com a missão poderá contribuir para sua atividade profissional?

Certamente, tudo que foi levantado aqui serve como exemplo do que deve ser seguido, evitado, potencializado e cuidado para as TVs Universitárias. Saímos da missão com tudo isso que escrevemos anteriormente a ser repassado às TVs Universitárias do país. Talvez seja utópico demais de minha parte, mas certamente essas informações podem dar subsídios fundamentais para a continuidade do desenvolvimento de nossas emissoras – por tudo até aqui exposto – mas também para nos tornar visíveis, nos credenciar e nos colocar em contato bem próximo com parceiros importantes, tanto no país como na Espanha e Inglaterra.



Após a missão, quais as novas ações planejadas pelos participantes?



Algumas ações já estão em andamento, por parte da ABTU:

·        Divulgação do resultado da missão via mídias eletrônicas da entidade (site, newsletter e blog);

·        Realização de um Seminário onde o principal tema será a Missão;

·        Publicação de um artigo científico;

·        Projeto em conjunto entre a ABTU, ABPTI-TV, Presidência e MDIC para fomento de treinamento de mão-de-obra para a produção audiovisual e de incubadora de produtoras.

Outras atividades seguirão a partir da multiplicação das informações:

·        pautar novos eventos do segmento a partir das idéias e demandas aqui apontadas;

·        estabelecer novas parcerias;

·        redesenhar e/ou adaptar projetos em andamento também a partir do descoberto com a missão, como o catálogo de produção audiovisual das TVs Universitárias, desenvolvido em conjunto com a EBC e que agora pode ganhar uma versão internacional para a venda de conteúdo no exterior;

·        construir manuais para orientação dos afiliados sobre as tendências e novas oportunidades de negócio;

·        projetos novas propostas para o segmento.
Comentários gerais (livre).


Creio que o melhor da missão foi o encontro de pessoas e instituições voltadas para a mesma direção. A ABTU teve oportunidade de se encontrar com pares e possíveis parceiros que, em outras ocasiões, nunca poderiam aprofundar seus pontos de vistas, suas especificidades e suas possibilidades de atuação conjunta se não no meio de um processo de descobrimento mútuo, tanto de um contexto externo, como interno.

Mas creio que essas missões também têm esse objetivo e, portanto, essa parte foi totalmente satisfatória.

As empresas visitadas também deram um amplo mosaico das questões pertinentes aos nossos interesses, muitas delas coincidindo (o que reforçava uma até então apenas uma impressão), outras ressaltando aspectos diferenciados e subjetivos, mas igualmente importantes.

Para as TVs universitárias, foi um tremendo reforço a algumas concepções, a abertura de janelas para outras proposições e certamente alguns passos além de onde estamos que, sem a missão, levaríamos mais algum tempo para alcançar (o que poderia, inclusive, fazer com que perdêssemos algum ‘bonde’).

Infelizmente, isso não significa que as TVUs vão agora ficar diferentes do que eram antes da missão. A heterogeneidade e a pouca agregação das IES, em todas as áreas e não só em suas TVs, não garantem que as ações serão assimiladas e multiplicadas. Dependerá também muito da atuação da ABTU e de seus novos parceiros.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Missão Espanha-Inglaterra 12: ITV

A emissora privada tradicional inglesa fez um bom estudo sobre as tendências da TV:
  • audiência cada vez mais fragmentada;
  • declínio da publicidade tradicional nos intervalos de TV;
  • conteúdo globalizado;
  • o “risco” da audiência conectada;
  • perda do share para o mundo virtual.

Mas também vêem oportunidades:

  • extender o canal para outras plataformas em diversos lugares;
  • novos reposicionamentos para as marcas;
  • novos talentos e novo processo criativo;
  • possibilidades de construção de novos canais de relacionamento com o público;
  • visão mais clara do tipo de negócio.

Não relataram projetos de interatividade. Mas já abraçaram fortemente a multiprogramação. É bonito de se ver, com uma grande pontada de inveja, o hall de entrada com os aparelhos ligados, cada um em uma subfrequência segmentada....

Também querem se previnir e se preparar para as novas concorrências como o Google TV, realizando, inclusive, uma joint venture com a BBC, Channel 4 e outros para que a Inglaterra tenha sua própria plataforma de conteúdo. Uma junção dos concorrentes em prol de toda a indústria de conteúdo inglesa, uma utopia se pensarmos algo semelhante no Brasil.